sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Devemos pregar sobre o inferno? Com a Palavra, D. A. Carson


Muitos crentes de nossos dias querem dizer: “Certamente, é melhor pensar no inferno como um lugar que haverá punição temporária, até que todas as pessoas percam, finalmente, toda a consciência: aniquilação”. Outras acham que é manipulador e cruel pensar no inferno: “Fale sobre o amor de Deus”. Há diversas coisas que devem ser ditas. Este não é um assunto fácil, mas tem de ser dito.

            Jesus foi quem apresentou as imagens mais horríveis e vívidas. Ele falou abertamente para os seus discípulos que estavam em risco de serem crucificados, espancados e sofrerem outras atrocidades: “Não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanta alma quanto o corpo (Mt 10.28). Ele falou sobre algemas, cadeias, trevas exteriores. Às vezes, pessoas dizem: “Quero ir para o inferno. Todos os meus amigos estão lá”. Não há amigos no inferno. Jesus falou sobre choro e ranger de dentes. Portanto, não é surpreendente que ele tenha chorado sobre a cidade quando as pessoas não se arrependeram e creram.

            Então, se pessoas acham que falar sobre o inferno é manipulador, elas têm de acusar Jesus de manipulação. Contudo, a acusação será sensível apenas se a ameaça do inferno não for real.  Advertir as pessoas a abandonar um prédio em chamas, contando-lhes as consequências terríveis de permanecer ali e suplicar-lhes que se apressem a sair dele, nunca seria chamado de manipulação. Visto que o inferno é real, terrível e tem de ser evitado urgentemente, seria falta de amor e compaixão da minha parte não advertir as pessoas, exatamente como o seria da parte Jesus não advertir as pessoas de sua época.

CARSON, D. A. In: o Deus Presente. Traduzido por Francisco Wellington Ferreira.  São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 2012. Capítulo 13: O Deus bastante irado, pp. 295-296.


Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Evidências de um Crente Cheio do Espírito Santo


(Ef 5: 15-21)

Introdução
O Espírito nos capacita a testemunhar a Cristo de forma fiel e com poder (At 1:8). Desta maneira, a Igreja não se assombra diante dos obstáculos que muitas vezes tentam fazê-la calar ou mesmo desanimar. Ela vai no poder e sabedoria do Espírito, cumprindo a sua missão imperativa e incondicional de testemunha de Cristo. A Igreja, não pode deixar de dar testemunho, visto que ela “não pode fugir à vocação do seu próprio ser”.  (At 1:8; 4:8-13,31; 9:17-20; 11:21-25;13:9-12). Como Igreja, somos levados sob a direção do Espírito, de forma irreversível a testemunhar sobre a realidade de Cristo e do poder da Sua graça.
O trabalho que temos a realizar no reino de Deus só será possível mediante a capacitação do Espírito Santo. Alias, não existe vida cristã sem o Espírito Santo, pois essa vida começa com o novo nascimento e ninguém nasce de novo a não ser através do Espírito (Jo 3:5).
A doutrina do Espírito Santo é de importância fundamental para a Igreja, pois somos habitação do Espírito, e como vimos, sem Ele não há vida cristã, nem ministério, nem dons espirituais nem pregação genuína.
O conceito de Paulo, quanto à plenitude do Espírito Santo, consiste em seis pontos:

1-       Vê prudentemente como anda (Ef 5:15)
O apóstolo falou sobre os pecados da vida pagã (4:25; 5:14), que devem ser abandonados, e ao fazê-lo, referiu-se ao abandono da escuridão daquela velha vida e ao tornar-se luz no Senhor. Luz é um símbolo tanto de conhecimento como de pureza. Esses irmãos da igreja de Efeso tinham sido iluminando em Cristo. Por isso devem viver de modo digno (Ef 4:1).
Portanto observai (vigiar, olhar) atentamente como estais vivendo...
Sede estritamente cuidadosos acerca da vida que levais. A ideia de Paulo aqui, é que seus irmãos pudessem manter o controle dos princípios pelos quais governam suas vidas.
 A figura bíblica do “andar” é significativa, pois aponta para a nossa realidade diária de caminhar, nos deparando com novas e desafiadoras situações, para as quais o Espírito nos conduzirá de forma segura conforme as Escrituras.
O propósito de Paulo aqui é mostrar que necessariamente a maneira como se porta aqueles que foram iluminados pelo Espírito Santo é oposta ao homem natural. Não como imprudentes, mas como sábios.  A palavra prudência vem do latim “prudentia” que quer dizer: virtude que leva o Homem a prever e a evitar os erros e os perigos.



2-       Redime o tempo (Ef 5:16)
Mais uma vez ele é bastante prático. Andar em sabedoria diz respeito em particular ao uso adequado do tempo.
Um dos maiores desafios que temos na atualidade é em relação à administração e uso correto do nosso tempo. Há algumas expressões que são características do homem moderno:
 “A vida está muito corrida”. “Não tenho tempo para nada”. “A gente não vê o tempo passar”. “Parece que o tempo hoje passa mais depressa que antigamente”. Na realidade o problema não é o tempo, é o modo de vida. O que faz o tempo “passar” mais depressa são as inúmeras atividades com as quais nos envolvemos.
A Bíblia fala a respeito do tempo. O sábio Salomão, ao escrever Eclesiástes disse que há tempo para todo o propósito debaixo do céu. O apóstolo Paulo quando aqui desafia os membros da igreja com a seguinte expressão: “Remindo o tempo Porque os dias são maus.” Efésios 5:16. O que fica patente nestes textos bíblicos é que o tempo precisa ser corretamente administrado.
Paulo lembra que os dias são maus, como crentes não podemos relaxar, mas usar cada oportunidade para conduzir outros das trevas para luz.  Podemos também compreender que, os dias, sendo maus, estão sob o julgamento de Deus, e por esse motivo “o tempo se abrevia” (1 Co 7:29), e cada oportunidade deve, portanto, ser aproveitada antes que seja tarde demais.

3-         Procura compreender a vontade de Deus (Ef 5:17)             
O Rev. Augustus Nicodemus, em um de seus posts no Tempora, diz o seguinte:
O ponto central de Calvino era que o Espírito fala pelas Escrituras. Não que o Espírito estivesse restrito à Pregação da Palavra e aos sacramentos, mas sim que Ele não pode ser dissociado de ambos. O Espírito havia sido dado à Igreja, não para trazer novas revelações, mas para nos instruir nas palavras de Cristo e dos profetas. De acordo com Calvino, o Espírito sela nossas mentes quando ouvimos e recebemos com fé a palavra da verdade, o Evangelho da salvação (Ef 1:13). Ele limita-se a guiar os crentes e a iluminar seus entendimentos naquilo que ouviu e recebeu do Pai e do Filho, e não de Si mesmo (Jo 16:13). Como o ensino divino se encontra nas Escrituras, a obra do Espírito consiste em iluminá-las, fazendo com que esse ensino seja entendido pelos fiéis.
A vontade de Deus é revelada com beleza, graça e verdade nas paginas das Escrituras Sagradas.
"Um reavivamento", diz o Dr. Héber de Campos, "que é produto da obra do Espírito Santo na igreja, certamente tem sua ênfase naquilo que tem sido esquecido por muito tempo: a Palavra de Deus. A autoridade da Palavra de Deus passa ser algo extremamente forte num momento genuíno de reavivamento. A Bíblia passa novamente a ser honrada como a única Palavra inspirada de Deus".

 4-        Canta um novo Cântico (Ef 5: 19)
A Confissão de Westminster (1647) capta bem isso ao dizer: “... O modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por Ele mesmo e tão limitado pela sua vontade revelada, que não deve ser adorado segundo imaginações e invenções dos homens ou sugestões de Satanás nem sob qualquer outra maneira não prescrita na Santa Escritura.” Adorar a Deus de modo não prescrito em Sua Palavra é um ato idólatra, pois deste modo, adoramos na realidade a nossa própria vontade e gosto. Aqui há uma inversão total de valores: em nome de Deus buscamos satisfazer os nossos caprichos e desejos; Deus se tornou um mero instrumento para a expressão de nossa vontade; a lógica dessa atitude é a seguinte: desde que estejamos satisfeitos, descontraídos e leves, é isso o que importa. Quem assim procede, já recebeu a sua recompensa: A satisfação momentânea do seu desejo pecaminoso.

5-         Dá sempre graças por tudo a Deus (Ef 5:20)                
A expressão “dai graças” é a tradução do verbo grego Eu)xariste, que tem o sentido, conforme o traduzido, de “agradecer”. A sua raiz é a mesma do substantivo Eu)xaristi/a (Eucaristia), que pode ser traduzido por “gratidão” (Cf. At 24:3).
Paulo diz que devemos ser imitadores de Deus e, como tais, ao invés de vivermos com conversações torpes, deveram andar em ações de graça (Ef 5:1-4).
A nossa gratidão a Deus é o resultado da certeza de que Ele cuida de nós e que, de fato, não existem eventos casuais, sorte, azar ou fatalismo. Deus é Quem nos guarda! Portanto, em todas as circunstâncias, podemos encontrar motivos para agradecer a Deus, certos de que Ele é o Senhor da história e nada nos acontece sem a permissão governativa de Deus e que tudo o que nos ocorre tem um sentido proveitoso para a expressão de nossa vida: física, psíquica e espiritual. “Sabemos que todas as cousas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8:28). O “bem” dos filhos de Deus é tornar-se cada vez mais identificado com o seu Senhor (Rm 8:29-30).

6-         Sujeita aos outros (Ef 5:21)
   O crente cheio do Espírito revela esta realidade não apenas no seu relacionamento com Deus, mas, também, com o seu próximo. O crente cheio do Espírito está pronto para o serviço em humildade, sem pretensões de grandeza ou de honra, tendo como princípio orientador do seu comportamento, o “temor de Cristo”, sabendo que tudo o que somos e temos provém de Deus (1Co 4:7; 15:10; 2Co 3:5; 2Pe 1:3). Isto significa que uma Igreja cheia do Espírito não é regida pela disputa de cargos, honrarias, individualismo ou vanglória; isto porque há a consciência de que todos servem uns aos outros para a Glória de Deus e o aperfeiçoamento dos santos (Mt 18:1-4; 20.28; Rm 12:10; Ef 4:2,3,11-16; Fp 2:3; 1Pe 5:5).

Um exemplo negativo daqueles que se julgavam “espirituais”, encontramos em Corinto, onde grassava arrogância espiritual, facções, e imoralidade (1Co 1:11,12; 3:1-9; 11:17-22; 14:26-33). A alegação espiritual dos coríntios não correspondia à sua prática de vida; no entanto, revelava a fragilidade e imaturidade de sua fé.

Conclusão
Podemos interpretar o texto de (Ef 5:18), como que Paulo dizendo: “Sede constantemente, momento após momento, controlados pelo Espírito.”  Hoekema
O imperativo presente ensina-nos que ninguém pode, jamais, reivindicar ter sido cheio do Espírito de uma vez por todas. Estar sendo continuamente cheio do Espírito é, de fato, o desafio de uma vida toda e o desafio de cada dia.
 Enchei-vos do Espírito” –, não uma opção de vida cristã para alguns, que pode ser seguida ou não. A ordem bíblica é categórica e para todos os crentes em Cristo. O verbo está na voz passiva, indicando que o sujeito da ação é passivo; Deus é o autor do enchimento.
“O Espírito Santo não trabalha, portanto, independentemente da obra de Cristo, como pregam todos aqueles que enfatizam o culto ao Espírito Santo e acabam por desviar os olhos dos fiéis da pessoa de Cristo. O Espírito Santo não vem como “uma segunda bênção”, nem vem realizar fenômenos sem sentido ou fora do contexto revelador de Cristo, tais como curas espetaculares, risos santos, quedas, urros, dentes de ouro ou quaisquer outras maravilhas glorificadoras dos homens que as realizam. Ele vem selar o trabalho de Cristo na vida do crente, abrindo-lhe o coração à conversão, batizando-o com a abençoada regeneração, fazendo morada no coração de todos os salvos, promovendo a comunhão cristã, edificando o Corpo de Cristo, iluminando o entendimento e operando o crescimento em santificação.” (Pb. Solano Portela).

José Rafael
Pastor da Igreja Congregacional do Centenário em Campina Grande
Um valoroso irmão em Cristo que muito nos honrou com esta brilhante participação em nosso blog.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O Pragmatismo Evangélico e o Declínio da Mensagem Bíblica


Pragmatismo é a noção de que o significado ou o valor é determinado pelas consequências práticas. É muito similar ao utilitarismo, a crença de que a utilidade estabelece o padrão para aquilo que é bom. Para um pragmatista/utilitarista, se uma determinada técnica ou um curso de ação resulta no efeito desejado, a utilização de tal recurso é válida. Se parece não produzir resultados, então não tem valor.
O pragmatismo tem suas raízes no darwinismo e no humanismo secular. É inerentemente relativista, rejeitando a noção dos absolutos – certo e errado, bem e mal, verdade e erro. Em última análise, o pragmatismo define a verdade como aquilo que é útil, significativo e benéfico. As ideias que não parecem úteis ou relevantes são rejeitadas como sendo falsas.
Quando o pragmatismo é utilizado para formularmos juízos acerca do certo e do errado ou quando se torna a filosofia norteadora da vida, da teologia e do ministério, acaba, inevitavelmente, colidindo com as Escrituras. A verdade espiritual e bíblica não é determinada baseando-se no que “funciona” ou no que não “funciona”. Sabemos por intermédio das próprias Escrituras, por exemplo, que o evangelho frequentemente não produz uma resposta positiva (I Co 1:22-23; 2:14). Por outro lado, as mentiras satânicas e o engano podem ser bastante eficazes (Mt 24:23-24; II Co 4:3-4). A reação da maioria não é um parâmetro seguro para determinar o que é válido (Mt 7:13-14), e a prosperidade não é uma medida para a veracidade (Jó 12:6). O pragmatismo como uma filosofia norteadora do ministério é inerentemente defeituoso e como uma prova para a veracidade é satânico.
Para muitos, a quantidade de pessoas nos cultos tornou-se o principal critério para se avaliar o sucesso de uma igreja, aquilo que mais atrai o público é aceito como “bom”, sem uma análise crítica. Isso é pragmatismo.
Pior ainda, a teologia concede à metodologia lugar de honra. Na igreja contemporânea, tudo parece estar na moda, exceto a pregação bíblica! Assim, o pragmatismo representa para a igreja de hoje exatamente a mesma ameaça sutil que o modernismo representou há quase um século. O modernismo começou como uma metodologia, mas logo se tornou uma teologia singular.
Ao menosprezar a importância da doutrina, o modernismo abriu a porta para o liberalismo teológico, o relativismo moral e a incredulidade aberta! Se existe algo que a história nos ensina é que os ataques mais devastadores desfechados contra a fé sempre começaram com erros sutis surgidos dentro da própria igreja.
Por viver em uma época tão instável, a igreja não pode se dar ao luxo de vacilar. Ministramos a pessoas que buscam desesperadamente respostas; por isso, não podemos amenizar a mensagem ou abrandar o evangelho. Se fizermos amizade com o mundo, nos tornaremos inimigos de Deus. Se nos dispusermos a crer em artifícios mundanos, estaremos automaticamente abrindo mão do poder do Espírito Santo.
A fraqueza da pregação em nossos dias não brota de lábios excêntricos e frenéticos que discursam sobre o inferno; resulta de homens que comprometem a mensagem e temem proclamar a Palavra de Deus com poder e convicção. A igreja certamente não manifesta uma superabundância de pregadores sinceros e objetivos; de fato, ela parece repleta de ministros que adulam os homens (Cf. Gl 1:10).
Sutilmente, em vez de uma vida transformada, é a aceitação por parte do mundo e a quantidade de pessoas presentes aos cultos o que vem se tornando o alvo maior da igreja contemporânea.
Contudo, devemos estar conscientes de que tamanho de igreja não é sinônimo da bênção de Deus; e a popularidade não é barômetro de sucesso. O verdadeiro sucesso não é prosperidade, poder, proeminência, popularidade ou qualquer outro conceito mundano de sucesso. Sucesso genuíno é fazer a vontade de Deus apesar das consequências!
Muitos cristãos professos aparentam se importar mais com a opinião do mundo do que com a de Deus. As igrejas manifestam tanta preocupação em agradar os não-crentes, que muitas esqueceram que seu primeiro propósito é agradar a Deus (II Co 5:9). A igreja se contextualizou a tal ponto, que se deixou corromper pelo mundo.
Nós, que amamos o Senhor e à sua igreja, não devemos ficar assentados enquanto a igreja ganha ímpeto em direção ao declínio que leva ao mundanismo e ao comprometimento do evangelho. Homens e mulheres pagaram com seu próprio sangue o preço de passarem a nós uma fé genuína. Agora é a nossa vez de preservarmos a verdade; e esta é uma tarefa que requer coragem, sem compromisso com o erro. Trata-se de uma responsabilidade que exige devoção inabalável a um propósito muito específico!
PUBLICADO ORGINALMENTE EM: Refletindo.com http://refletindopontocom.blogspot.com.br via Minha vida em Cristo sem heresias.
John McArthur, Com Vergonha do Evangelho, (São José dos Campos, SP. Editora Fiel, 1997). Trechos selecionados dos três primeiros capítulos.
Intercâmbio feito por Rafaelle Amado

terça-feira, 27 de novembro de 2012

A raiz do Cristianismo


“A plena satisfação em Deus é algo perigoso mesmo. Pode lhe custar os amigos. Pode custar-lhe a reputação e até mesmo sua vida. Mas valerá a pena, “pois a graça de Deus é melhor do que a vida!” (Sl.63.3)” Jonh Piper.

No mês de outubro deste ano de 2012, tive a rica oportunidade de participar da Conferência Fiel para pastores e líderes – Alicerces da fé Cristã. E foram dias de muita edificação e aprendizado. Lá havia muitos pastores renomados, preletores de fora do País, verdadeiras referências do estudo da teologia reformada. Porém a maior lição que aprendi lá, e cujo vou compartilhar com vocês não foi Paul Washer que me ensinou, também não foi Joel Beeke, ou qualquer outro dos palestrantes ali presente. Por incrível que pareça, a pessoa que me levou a refletir sobre esta valiosa e essencial reflexão nem estava participando da conferência (nem se quisesse, pois não teria condições).  Ao fim desta reflexão contarei essa história que me levou a entender e contemplar tamanha verdade que deve habitar nossos corações, e o quanto isso vai interferir nas nossas vidas.

Em meio há tantas aberrações teológicas no que diz respeito à jornada Cristã, à nossa peregrinação aqui na terra, a teologia reformada sempre enfatizou o fato de não pertencermos a esse mundo, de que não devemos viver focados no hoje e no agora, e que aqui passaremos por lutas, aflições, provações e etc. Disso todo Cristão deveria saber. Mas até que ponto essa verdade invade nossos corações? Será que nós conseguimos entender o que essa verdade tem de acarretar no nosso modo de ver e de viver neste mundo? Será que ansiamos a volta de Cristo para buscar a sua noiva? A resposta é clara: Não.

A grande verdade, a raiz do evangelho, a essência do Cristianismo é A plena satisfação em Deus. Você deve está pensando em sua cabeça que todo mundo sabe disso, que isso não é novidade para ninguém. Mas para muito de nós essas palavras não passam de “letras pretas em um fundo branco”. Ou seja, eu sei o que estou lendo, mas eu não entendo o sentido literal desta frase: A plena satisfação em Deus.

No capítulo 6 do evangelho de João, Jesus realiza alguns milagres em certo dia, então no dia seguinte muitas pessoas vão ao encontro dEle. Cristo inicia um discurso sobre o fato de que Ele é o pão da vida, e quem comer dEle jamais voltará a ter fome. Tal discurso não foi bem aceito por aquelas pessoas, que começaram a contestar o fato de que Deus havia mandado maná do Céu para seus antepassados, ou seja, eles queriam satisfação imediata, queriam que Jesus os desse algo que os satisfizessem fisicamente. Mas Jesus continuou com seu discurso, afirmando que os seus antepassados comeram do maná e morreram, mas Ele é o pão da vida, quem comesse desse teria a vida eterna. Ele continua a pregar essa verdade até que muitos discípulos se retiram. Sobre o que Jesus estava pregando ali? O que Jesus estava falando? Ele estava afirmando que Ele é suficiente, que só Ele basta para nossas vidas, que só Ele e mais nada é o caminho para a vida eterna.
O rei Davi ao escrever o Salmo 23 reconhece que Deus era suficiente para ele, que não importava onde ou como ele estivesse, a certeza que Deus estava com ele era o suficiente para lhe consolar. “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam” (Salmo 23.4).

Nós Cristãos temos que ter essa mesma consciência, de que podemos e vamos passar por tribulações, que nesse mundo teremos aflições, que podemos perder tudo (família, bens, poder). Mas que podemos se regozijar na certeza de que Deus sempre estará conosco, e que se estamos nEle temos TUDO. Não porque Ele nos dará tudo, mas porque Ele é nosso TUDO. “Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus” (Atos 20:24).

Para encerrar meu texto, volto á me referir à pessoa que me ensinou uma maravilhosa lição nos dias da conferência: um morador de rua que me viu falando ao telefone com a Bíblia em baixo do braço na sacada do hotel e veio falar comigo. Enquanto ele se aproximava tive certo receio, e de repente ele me saudou com um surpreendente: “Jesus está comigo!” Nossa! Essa afirmação veio como uma facada no meu coração. Eu olhei para mim mesmo, me vi com uma boa roupa, um celular, em uma viajem, hospedado em um hotel confortável, e então pensei: “ Eu tenho motivos para afirmar isso, mas esse cara, como ele pode afirmar isso com tanta certeza?!” E ele seguiu me contando sua história. Contou que já foi preso, mas que agora morava em uma praça, e afirmava com toda certeza de que Deus tinha lhe perdoado, e que estava com ele em todo tempo. Maravilhado e ao mesmo tempo envergonhado com a história daquele homem, só consegui dizer uma frase aquele rapaz, eu disse: “Se você não tem nada, e tem á Jesus, você tem TUDO!” E ele me respondeu: “Nossa! Este sou eu! Eu não tenho nada, mas tenho Jesus, eu tenho TUDO! Isso vai passar, então eu vou morar com Ele.” Como escutar tal testemunho e não lembrarmos das palavras do profeta Habacuque?: ”Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; Todavia eu me alegrarei no SENHOR; exultarei no Deus da minha salvação” (Habacuque 3:17-18).

Esse morador de rua não tinha o que comer, o que vestir, nem mesmo onde morar, mas reconhecia a sua suficiência em Cristo, e nós que temos tudo que gostaríamos ter, será que realmente não nos falta TUDO?!

Que Deus tenha misericórdia de nós!

Guilherme Barros

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

UMP Indica: Carol Gualberto


Carol Gualberto é uma artista no sentido da palavra. Cantora, compositora e coreógrafa, tem uma voz suave, mas firme e que com passeio em vários ritmos e sonoridades, nos encanta e nos prende em sua teia de poesia. Com dois álbuns lançados (DAS COISAS BOAS DA VIDA, 2011 e LÁ VEM ELA, 2009), celebra a Deus, a vida e a boa música brasileira.

Para escutar e conhecer o trabalho de Carol, acesse:
Blog: http://www.carol-gualberto.blogspot.com.br/

Myspace: http://www.myspace.com/carolgualberto

Escute a bela canção Rotina em:


E para conhecer a trajetória e influências de Carol, veja o podcat Novos acordes do Carlinhos Veiga, que destacou o Cd Das coisas boas da vida.
Boa música:

Prebítero Cícero da Silva Pereira

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

É proibido julgar? Com a Palavra Augustus Nicodemus

Ainda recentemente participei de uma discussão no Facebook com vários de meus amigos onde uma moça aborreceu-se com alguns comentários feitos a um terceiro (não por mim, garanto!) e retirou-se zangada, dizendo que Jesus havia ensinado que não se devia julgar os outros.


Eu sei que existem situações em que julgar é realmente errado, mas aquela não era uma destas situações. A pessoa que estava sendo "julgada" tinha feito declarações e expressado suas opiniões e os outros simplesmente estavam avaliando e rejeitando as mesmas. A atitude da mocinha, que ficou sentida, ofendida e magoada, é infelizmente comum demais no meio evangélico moderno, onde as pessoas usam as famosas palavras de Jesus de maneira errada como argumento em favor de que devemos aceitar tudo o que os outros dizem e fazem, sem pronunciarmos qualquer juízo de valor que seja contrário.

Mas, foi isto mesmo que Jesus ensinou? A passagem toda vai assim:

"Não julgueis, para que não sejais julgados.
Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também.
Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio?
Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu?
Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão.
Não deis o que é santo aos cães Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos dilacerem." (Mateus 7:1-6)

Alguns pontos ficam claros da passagem.

1) O que Jesus está proibindo é o julgamento hipócrita, que consiste em vermos os defeitos dos outros sem olharmos os nossos. O Senhor determina que primeiro nos examinemos e nos submetamos humildemente ao mesmo crivo que queremos usar para medir e avaliar o procedimento e as palavras dos outros. E que, então, removamos a trave do nosso olho,  isto é, que emendemos nossos caminhos e reformemos nossa conduta.

2) Em seguida, uma vez que enxerguemos com clareza, o próprio Senhor determina que tiremos o argueiro do olho do nosso irmão. O que ele quer evitar é que alguém quase cego com um tronco de árvore no olho tente tirar um cisco no olho de outro. Mas, uma vez que estejamos enxergando claramente, após termos removido o entrave da nossa compreensão e percepção, devemos proceder à remoção do cisco do olho de outrem.

3) Jesus faz ainda uma outra determinação no versículo final da passagem (verso 6) que só pode ser obedecida se de fato julgarmos. Pois, como poderemos evitar dar  nossas coisas preciosas aos cães e aos porcos sem primeiro chegarmos a uma conclusão sobre quem se enquadra nesta categoria? Visto que é evidente que Jesus se refere a pessoas que se comportam como porcos e cães, que não vêem qualquer valor no que temos de mais precioso, que são as coisas de Deus. Para que eu evite profanar as coisas de Deus preciso avaliar, analisar, examinar e decidir - ou seja, julgar - a vida, o comportamento e as declarações das pessoas ao meu redor.

Fica claro, então, que o Senhor nunca proibiu que julgássemos os outros, e sim que o fizéssemos de maneira hipócrita, maldosa e arrogante. Julgar faz parte essencial da vida cristã. Somos diariamente chamados a exercer o papel de juízes movidos por amor pelas pessoas e zelo pelas coisas de Deus. 

Quem nunca julga contribui para que o erro se propague, para que as pessoas continuem no erro. São pessoas sem convicções. Elas se tornam coniventes e cúmplices das mentiras, heresias e atos imorais e anti-éticos dos que estão ao seu redor. Paulo disse a Timóteo, "A ninguém imponhas precipitadamente as mãos. Não te tornes cúmplice de pecados de outrem. Conserva-te a ti mesmo puro" (1Tim 5:22). Não consigo imaginar de que maneira Timóteo poderia cumprir tal orientação sem exercer julgamento sobre outros.

Em resumo, julgar não é errado, cumpridas estas condições: a) que primeiro nos examinemos; b) que nos coloquemos sob o mesmo juízo e estejamos prontos para admitirmos que nós mesmos estamos sujeitos a errar, pecar e dizer bobagem; c) que nosso alvo seja ajudar os outros a acertar e consertar o que porventura fizeram ou disseram.

Augustus Nicodemus Lopes
Disponível em < http://tempora-mores.blogspot.com.br/2011/07/e-proibido-julgar.html >

Intercambio feito por:

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O Cristão e o Feedback


Eis uma afirmação contundente, mais verídica: não há ninguém que viva, tão somente de forma passiva. Por mais simples que eu você sejamos, pelo menos uma vez na vida faremos algo, criaremos algo, seremos seres ativos.  E esta verdade também é real na vida dos cristãos. Até mesmo o maior dos “esquenta bancos”, algum momento da caminhada, irá realizar algo. E isto pode ser um grande evento na igreja, uma programação de uma sociedade ou ministério, uma pregação ou até mesmo o simples ato de levar uma cadeira de plástico de um canto para o outro, ou simplesmente aconselhar outro irmão. Se na sua vida cristã toda, você nunca fez nada, mais nada mesmo, então pare de ler esse texto, pois talvez o título de vida cristã não seja adequado para você. Não fomos resgatados das trevas para vegetar.

Enfim, mas diante de nossas ações, de nossos planos e execuções, devemos sempre estar preparados para os “feedbacks”, que significa dar retorno, e ter a capacidade de dar opiniões, críticas e sugestões sobre alguma coisa. Em tudo que formos fazer, certamente, receberemos varias críticas, de diferentes pessoas, e nós deveremos estar preparados para discernir quais destas opiniões devem ser motivos de avaliações. Porém essa tarefa não é fácil, pois muitos irão nos julgar de forma inadequada e destrutiva. Mas também, devemos ter o cuidado de não destacar as opiniões que não nos agradam, pois ali pode haver verdade.
Como então, saberemos que tipos de respostas, conselhos, orientações, feedbacks, devem ser ouvidos e absorvidos, e quais devem ser repelidos ou ignorados? Há bons conselhos sobre este assunto na Bíblia, nossa regra de fé e prática.

Uma primeira observação importante é essa: não podemos rejeitar as repreensões! Se tivermos nossa opinião como inquestionável, daremos vazão a nosso coração vaidoso e orgulho, que se acha superior aos outros. Devemos evitar esta síndrome da autossuficiência, considerando sempre que podemos estar errado e que nosso irmão pode nos ajudar corrigindo-nos. O feedback de seu pastor, de um líder, ou de um irmão confiável é uma oportunidade que Deus dá para cresçamos. Podemos observar isto em Provérbios e Eclesiastes:

Não repreendas o escarnecedor, para que te não aborreça; repreende o sábio, e ele te amaráDá instrução ao sábio, e ele se fará mais sábio ainda; ensina ao justo, e ele crescerá em prudência. (Pv 9:8-9)

O homem vaidoso não gosta de quem o corrige; ele nunca pede conselhos aos sábios (Pv.15.12 / NTLH)

Mais fundo entra a repreensão no prudente do que cem açoites no insensato (Pv.17.10).

Melhor é ouvir a repreensão do sábio do que ouvir a canção do insensato” (Eclesiastes 7:5).

Agora outra questão extremamente relevante é esta: as observações dos impiedosos devem ser rejeitadas! Não devemos ouvir conselhos, ou feedbacks, de pessoas que se guiam por convicções antibíblicas. E por mais que isso pareça obvio muitos ainda caem nesta armadilha, pois até mesmo dentro da igreja encontramos pessoas assim. Este conselho é primariamente para termos cuidados com opiniões dos “de fora”, mas sem esquecer nas igrejas também há resquícios de mundanismo e até mesmo o joio.

São exemplos deste tipo de feedbacks: a programação não foi boa porque atraiu poucas pessoas, precisamos ser mais atrativos. Seu discurso é muito duro e por isso as pessoas são afastadas, deixe a doutrina de lado, fale só de coisas agradáveis. Ou então, muitas vezes, são pessoas movidas por inveja, e até mesmo cobiça, que só irão criticar para tentar atrapalhar a obra de Deus.

Afaste-se destas pessoas, não dê ouvidos a elas, pois o nome de Hall de membros de uma igreja, não significa que aquela pessoa é piedosa e nascida de novo. Tenha discernimento para identificar pessoas assim, pois estas precisam de oração, e não de aprovação. Seus feedbacks são venenosos e inúteis, como afirmam as escrituras:

Os pensamentos dos justos são retos, mas os conselhos dos ímpios, engano.
As palavras dos ímpios são ciladas para derramar sangue, mas a boca dos retos os livrará.
(Provérbios 12:5-6)

Não me tenho assentado com homens falsos, nem associo com dissimuladores. (Salmos 26:4)

Por fim, um último conselho válido, a palavra de Deus deve ser o termômetro de validade de qualquer feedback (2 Timóteo 3:16). Ela é nosso filtro de todas as informações, desde uma pregação até mesmo um conselho. Ou seja, sempre corra para a bíblia, e veja se aquilo que recebeste é coerente com ela. Se for, acate, reflita e cresça. Se não for? Ignore, olhe para o alvo que é Cristo, e siga em frente, para louvor e glória do nome Daquele que o arregimentou.

Rafaelle Amado e Rodrigo Ribeiro

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

A glória de Deus cabe num abraço


É difícil abordar certos assuntos sem parecer piegas. Então correrei esse risco para falar de algo menosprezado por muitos mas que considero fundamental: o abraço. E entenda que quando falo sobre o abraço não estou somente me referindo ao gesto físico de abraçar em si, mas, metaforicamente, a algo muito maior: a demonstração de amor e afeto pelo próximo. Uma demonstração que pode salvar vidas. E sem a qual nossa fé simplesmente não é cristã. Pois dispensar amor ao outro é parte tão indissociável do Evangelho como viver a fé em comunidade, prestar culto a Deus, estudar a Bíblia e orar. É impossível glorificar o Senhor sem dar-se pelo próximo. Biblicamente impossível.
Quando faltava pouco tempo para minha filha nascer fiz um curso de primeiros-socorros para pais de primeira viagem. A professora, uma enfermeira, contou uma história cuja fonte ignoro e os detalhes me fogem agora à memória. Mas basicamente era o relato de uma experiência de um dos reis franceses pré-Revolução que decidiu estudar o que acontece com as pessoas quando há falta do contato humano. Pelo que me lembro da história, ele mandou recolher ao palácio um grupo de órfãos recém-nascidos, que não deveriam ser tocados por ninguém. Para as necessidades essenciais, as amas que cuidavam dos bebês deveriam usar luvas grossas. No restante do tempo eles viveriam isolados. O resultado é que em pouco tempo, mesmo bem alimentadas e medicadas, todas as crianças morreram. Em suma: sem afeto o indivíduo definha.
É por isso que o trabalho de grupos como os Doutores da Alegria é essencial. O carinho pode ajudar muito na recuperação de doentes. Sabe-se cientificamente que afeto levanta as defesas imunológicas. Não é à toa que os hospitais têm leito para acompanhantes e horário de visita. Repare que pessoas que vivem em isolamento acabam loucas. Precisamos uns dos outros. Ninguém basta a si mesmo. Contato humano é gênero de primeira necessidade: carinho é alimento e amor é ar.

Leia, por favor, devagar e com muita atenção essa conhecida passagem, que você já leu muitas vezes. Mas tente ler como se fosse a primeira: “Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo forasteiro, não me hospedastes; estando nu, não me vestistes; achando-me enfermo e preso, não fostes ver-me. E eles lhe perguntarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, forasteiro, nu, enfermo ou preso e não te assistimos? Então, lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer. E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna” (Mt 25.41-46).
Pense: não é interessante que Jesus tenha posto comida e bebida no exato mesmo patamar que dar acolhida a um forasteiro solitário, socorro ao que passa vergonha por sua nudez, carinho e preocupação por quem está isolado ou dedicação ao que vive uma situação de carência emocional devido à saúde debilitada? Será que foi à toa?
O mesmo ocorre quando o Senhor define qual é a religião verdadeira: “A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo” (Tg 1.27)? Será por acaso que “guardar-se incontaminado” é posto no mesmo nível que atitudes que têm por finalidade compartilhar amor, oferecer presença, presentear com solidariedade? Não, para Deus não existe nada por acaso. Contaminar-se com o mundo e não dispensar amor a quem precisa são pecados do exato mesmo nível, como o contexto e a boa hermenêutica deixam claro. A conjunção “e” indica soma: uma coisa mais outra coisa, atreladas e inseparáveis. Desamparar quem está vivendo qualquer tipo de necessidade emocional ou espiritual em nome da obediência a Deus é, portanto, uma enorme incoerência do ponto de vista bíblico. É como engolir areia para matar a sede. E preste muita atenção ao detalhe: “…para com o nosso Deus e Pai”. Mais uma vez as Escrituras mostram que abraçar almas em necessidade é abraçar Deus. Em linguagem bíblica: glorificá-lo.

Assim, a religião verdadeira e a demonstração de amor a Cristo estão intimamente ligadas à entrega de si pelo próximo. E não estou falando de ação social, luta de classes ou envolvimento institucional da igreja em causas de caridade. Mas à devoção individual e pessoal em forma de conforto e carinho. A gestos feitos por pura preocupação com o bem-estar alheio, seja o carente uma pessoa pobre ou rica. Ao mais autêntico amor desinteressado. Quer glorificar Deus, meu irmão, minha irmã? Ame o próximo. Demonstre afeto. Dedique seu tempo ao outro. Cuide. Nutra. Ampare. Solidarize-se. Esteja junto. Viva a dor dele. Viva a nudez dele. Viva a fome e a sede dele. Viva as perdas dele. Viva as cadeias dele. Viva a solidão e o pavor dele. Sinta o outro na sua pele. Na melhor metáfora: abrace.
É pelo entendimento dessa verdade tão simples e tão óbvia, mas ao mesmo tempo tão esquecida, que me entristeço tanto quando vejo cristãos agressivos. Ou sacerdotes que batem na mesa e ofendem a granel. Ou cristãos egoístas. Ou, ainda, irmãos que não ofertam seu amor. Não consigo entender um pastor que não visita suas ovelhas no hospital, que não telefona para saber como os membros da igreja que Deus lhe confiou estão. Não consigo conceber como alguém que prega a graça larga pessoas pra lá e vai viver sua vida. Não consigo conceber cristãos que sabem que o irmão está no vale da sombra da morte, triste, deprimimido e abatido, e não fazem absolutamente nada. Simplesmente não entendo.

Fala-se muito de cristãos que pecam, e com razão. Temos de fugir do pecado e não há o que discutir sobre isso. Mas fala-se pouco ou quase nada sobre cristãos que pecam por não amar o próximo. É um pecado invisível. E tenho a firme convicção de que há mais cristãos que não amam seus semelhantes do que cristãos que adulteram, fumam ou bebem álcool. Mas quem se importa, não é? Desobedecer o primeiro mandamento não escandaliza ninguém.
A maior causa da crise que a Igreja vive atualmente e do nosso descrédito entre os não cristãos é a falta de amor ao próximo. Muitos ficam chateados quando livros como “Feridos em nome de Deus”, de Marília Camargo (editora Mundo Cristão), expõem o desamor que existe entre nós, achamos que “roupa suja se lava em casa”. Mas… o que está ali não é a pura verdade? Não é o que ocorre? Tenhamos peito para assumir. E mais peito ainda para começar a amar de fato e não só de palavra. Pedro, tu me amas? Então cuida dos meus. Você ama a Cristo? Cuide.
Deus amou entregando o próprio Filho. Mas nós não queremos amar, pois custa. Amar é arriscado. Pois para amar temos de abdicar do tempo que teríamos para nós, de perdoar quem nos feriu, de abraçar pessoas que cheiram mal, de nos misturar com o diferente, de correr riscos pelo outro, de diminuir para que o outro cresça. E quem quer fazer isso? É mais confortável cuidar só de si e, no máximo, da família. O outro não tem nada a ver comigo. É muito triste perceber que há gente que pensa assim. Pior ainda é ver quem age segundo esse pensamento. Que triste. Que triste.

Deus amou entregando o próprio Filho. E você, que perda é capaz de sofrer para demonstrar amor? Que risco está disposto a correr para amar o próximo? Quão fundo afundaria o pé na lama pelo outro? O quanto de si você tem peito de entregar em solidariedade por quem sofre, por quem te ofendeu, por quem pecou, por quem não merece? As respostas a essas perguntas podem mostrar que tipo de cristão você é: um agente da graça, da misericórdia e do amor ou um servo do legalismo, dos lugares-comuns e do egoísmo.
Ofereça afeto. Dê carinho. Doe presença. Oferte seu tempo. Ame. Ou, em outras palavras: seja um cristão. Isso é glorificar Deus mais do que qualquer outra coisa – está lá, na Bíblia, para quem quiser ver. E Jesus agradece. Pela comida, pela bebida, pela roupa, pela visita, pelo amor. Pelo abraço, enfim.
Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari.
Texto publicado originalmente em: http://apenas1.wordpress.com/2012/11/01/a-gloria-de-deus-cabe-num-abraco/

Intercâmbio feito por Walber Arruda



terça-feira, 20 de novembro de 2012

Fé e Família

                  



Tratar desses temas não é algo tão simples como parece, pois são dois conceitos difíceis e complexos de serem analisados. O grande entrave se encontra no seguinte questionamento: Se sou cristão, então a palavra de Deus, a Bíblia Sagrada, revelação de Deus para o seu povo, é a minha única regra de fé. Ao momento em que afirmo ser a Bíblia a minha única regra de fé, devo pensar da seguinte forma: - O que a Bíblia afirma sobre a família? Ao debruçar-nos sobre a s Santas Escrituras, e observarmos o que as mesmas dizem sobre a família, digamos em alto e bom som: É nisto que eu creio (fé) sobre o que Deus constituiu (família).  Falar sobre a relação entre fé e família não é falar sobre ter fé na família, pois nossa fé é firmada em Deus, que instituiu a família.
Quando falamos sobre fé e família, estamos discutindo algo muito importante, para que não romantizemos o tema, nem o façamos a luz daquilo que nós pensamos ou achamos sobre a família. Estamos falando de que existe uma base bíblica para a família. Deus, na sua revelação, deixa bem claro a natureza do casamento, como ele deve se dar (Gn 2.18-24),  qual o papel do homem, da mulher, dos filhos e tudo o mais. Então, retomando o ponto inicial, se a Bíblia é nossa regra de fé, acreditamos que toda a verdade sobre a família está contida nas Escrituras. E nada mais.
            Pelo exposto acima, naturalmente chegamos a pergunta: “E agora?”
            Agora, devemos analisar aquilo em que dizemos crer e como isto afeta nossas relações familiares. 1) Ajo para com o meu cônjuge de acordo com as escrituras (Ef 5. 22-29). 2) Crio meus filhos conforme orienta a Santa Palavra de Deus? 3) Amo e obedeço aos meus pais como a Bíblia ordena (Ef 6.1-4? É esta a relação que deve haver entre fé e família. O que eu digo crer sobre a família deve refletir na minha maneira de viver na família. É fácil? Não!. É simplesmente impossível se não for pela mediação de Jesus Cristo e pela ação do Espírito Santo nos dando a fé nesta verdade divina bem como nos conduzindo à obediência da mesma, pela graça misericordiosa de Deus. Deus nos abençoe!

                                                              
Presb.Cicero Pereira

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

UMP INDICA: Calvino e a responsabilidade social da Igreja (Augustus Nicodemus)


Qual a responsabilidade pública da igreja? Elas se resumem a pregação do evangelho? Nesta brilhante palestra proferida no Congresso Internacional de Teologia, Religião e Igreja, promovida pela Mackenzie, o Chanceler da daquela instituição, Dr. Augustus Nicodemus, nos apresenta de forma simples e contundente a visão que o reformador João Calvino tinha sobre o papel social da igreja.

Está é uma reflexão oportuna e indispensável para toda a igreja, que compreende o seu papel de forma ampla e deseja refletir a glória de Deus em todas áreas, assim como a supremacia de Cristo, em todas as esferas da vida humana.

Nesta palestra será possível refletir sobre o papel didático da igreja, no tocante às questões sociais e econômicas, assim como seu papel político, de orar pelas autoridades, advertir estas autoridades quando cometerem erros, promoverem a injustiça ou serem omissas com relações aos que as promovem, e tomar a defesa dos pobres contra os ricos que os exploram. Neste sentido, Augustus ainda comenta alguns assuntos delicados da bibliografia do reformador francês, ao citar o caso de morte de Servetus, dentro da visão político do estado em Calvino.

Além destas atividades, ainda cita-se a responsabilidade da igreja propriamente dita, de modo que o reformador entendia que a igreja deveria suprir a carência das atividades estatais e também atuar diretamente na assistência social, com especial destaque a função do diaconato nesta missão social da igreja. E por fim, é importante ressaltar que a além de todo este rico arcabouço teórico, Nicodemus ainda cita as ações práticas de Calvino, como forma de atestar a veracidade de sua crença no papel social da igreja.

Não podemos fugir desta reflexão, por isso recomendo este vídeo a todos os cristãos, de todas as idades, e de todas as vocações.

OBS: Também é bastante edificante o momento final da palestra reservada às perguntas, onde são levantadas questões muito interessantes para compreender nossa relação com a política e o estado.


Aqui está o link da palestra. Deus os abençoe:


Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Somos salvos de quê? Com a Palavra Sproul


Certa vez me defrontei com um jovem, na Filadélfia, que me perguntou: "Você está salvo?" Minha resposta foi: "Salvo do quê?" Minha pergunta pegou-o de surpresa. Obviamente não tinha pensado muito profundamente sobre o significado da pergunta que estava fazendo às pessoas. Certamente eu não estava salvo das pessoas que me paravam na rua e me importunavam com a pergunta: "Você está salvo?"

(Ez 36.26,27; Sf 1; Jo 3.16,17; Rm 1.16-17; 1 Co 1.26-31; 1 Ts 1.6-10)
A questão sobre estar salvo é a suprema questão da Bíblia. O tema principal das Sagradas Escrituras é a salvação. Jesus, quando foi concebido no ventre de Maria, foi anunciado como o Salvador. Salvador e salvação caminham junto. O papel do Salvador é salvar.
Perguntamos novamente, salvos de quê? O significado bíblico de salvação é amplo e variado. Em sua forma mais simples, o verbo salvar significa "ser resgatado de uma situação perigosa ou ameaçadora". Quando Israel escapava das derrotas nas mãos de seus inimigos em batalhas, dizia-se que fora salvo. Quando as pessoas se recuperam de uma enfermidade grave, experimentam salvação. Quando a colheita é poupada das pragas e das secas, o resultados se chama salvação.
Usamos a palavra salvação de maneira semelhante. Dizendo que um boxeador foi "salvo pelo gongo" se o assalto termina antes que o juiz possa fazer a contagem que determina o nocaute. Salvação significa ser resgatado de alguma calamidade. Entretanto, a Bíblia também usa o termo salvação num sentido específico para referir-se à nossa redenção suprema do pecado e à nossa reconciliação com Deus. Neste sentido, somos salvos da pior de todas as calamidades - o juízo de Deus. A salvação suprema é concretizada por Cristo, o qual "nos livra da ira vindoura" (1 Ts 1.10).
A Bíblia anuncia claramente que haverá um dia de julgamento quando todos os seres humanos prestarão contas diante do tribunal de Deus. Para muitos, este "dia do Senhor" será um dia de trevas, sem luz alguma. Será o dia quando Deus derramará sua irá sobre o ímpio e impenitente. Será o holocausto supremo, a hora mais triste, a pior calamidade da história da humanidade. Salvação suprema significa ser poupado da ira divina que certamente virá sobre o mundo. Esta é a operação que Cristo realiza por seu povo como seu Salvador.
A Bíblia usa o termo salvação não só em muitos sentidos, mas também em muitos tempos verbais. O verbo salvar aparece em praticamente todos os tempos verbais possíveis da língua grega. Existe um sentido no qual nós fomos salvos (desde a fundação do mundo); estávamos sendo salvo (pela obra de Deus na História); somos salvos (por estarmos num estado justificado); estamos sendo salvos (sendo santificados ou sendo feitos santos); e seremos salvos (experiência da consumação da nossa redenção no céu). A Bíblia fala da salvação em termos de passado, presente e futuro.
Às vezes relacionamos a salvação presente em termos de justificação, a qual é presente. Ouras vezes vemos a justificação como um passo específico na ordem total ou plano da salvação.
Finalmente, é importante notar outro aspecto central no conceito bíblico de salvação. A salvação  procede do Senhor. Salvação não é um empreendimento humano. Os seres humanos não podem salvar a si próprios.A salvação é uma obra divina; é concretizada e aplicada por Deus. A salvação pertence ao Senhor e provém do Senhor. É o Senhor quem nos salva da ira do Senhor.

R. C. Sproul
Extraído do site: http://www.ocalvinismo.com/2010/03/salvacao-r-c-sproul.html

Walisson Alves