sexta-feira, 24 de maio de 2013

Como Buscar uma Vida de Santidade com Alegria? Isto é Possível? Com a Palavra Joel R. Beeke.

Uma vida santa deve exalar alegria no Senhor, e não uma labuta enfadonha e negativa. A ideia de que a santidade requer uma disposição melancólica é uma distorção trágica das Escrituras, pois elas afirmam que aqueles que cultivam a santidade experimentam alegria verdadeira. Jesus disse: “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; assim como também eu tenho guardado os mandamentos do meu Pai e no seu amor permaneço. Tenho-vos dito estas coisas para que o meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo seja completo” (Jo 15.10-11). Aqueles que seguem, com obediência, a santidade como um caminho de vida conhecerão o gozo que flui da comunhão com Deus. Esse gozo inclui o seguinte:

            A alegria suprema: comunhão com Deus. Não há alegria maior do que a comunhão com Deus. “Na tua presença há plenitude de alegria”, diz Salmos 16.11. A verdadeira alegria procede de Deus enquanto andamos em comunhão com ele. Quando quebramos a comunhão com Deus, por meio do pecado, só podemos retornar, como Davi, com oração de arrependimento, implorando: “Restitui-me a alegria da tua salvação” (Sl 51.12). As palavras que Jesus falou ao ladrão na cruz, representam o maior deleite de todo filho de Deus: “Hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23.43).

               A alegria incessante: segurança permanente. A verdadeira santidade obedece a Deus e confia nele. Ela diz com segurança: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8.28), mesmo quando não pode ver o fim. Como aqueles que trabalham fielmente numa tapeçaria persa, entregando cegamente os fios coloridos àquele que elabora o padrão acima deles, os santos de Deus lhe entregam até mesmo os fios negros que ele exige, sabendo que o padrão dele é perfeito, ainda que não possa ser visto agora. Você conhece essa profunda confiança, semelhante à de uma criança, de crer nas palavras de Jesus: “O que eu faço não o saber agora; compreendê-lo ás depois” (Jo 13.7). Essa alegria incessante e estabilizadora ultrapassa o entendimento. A santidade produz um contentamento jubiloso, pois “grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento” (1Tim 6.6).

                A alegria antecipada: recompensa eterna e graciosa. Jesus suportou seus sofrimentos por contemplar de antemão a alegria de sua recompensa (Hb 12.1-2). Os crentes também podem olhar para frente e contemplar a entrada da alegria de seu Senhor, visto que seguiram a santidade durante toda a sua vida. Pela graça, eles podem antecipar, com exultação, a recompensa eterna de ouvirem: “Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor” (Mt 25.21). Jhon Whitlock comentou: “Este é o caminho do cristão, e este, o seu fim: o caminho é a santidade, e o seu fim, a felicidade”.



Joel R. Beeke, Vivendo para a Glória de Deus, Editora Fiel 2010.

Laryssa Lobo

quinta-feira, 23 de maio de 2013

A Bíblia e a Gaveta


Um observador casuístico poderá identificar algumas semelhanças e diferenças entre a Bíblia e a gaveta para alguns cristãos. Por incrível que pareça é possível encontrar algumas semelhanças e diferenças entre estes itens, antes de você seguir a leitura o que você pensa sobre isso?

            Por incrível que pareça para alguns cristãos há muita semelhança e nenhuma diferença. Como seria possível? Imaginável? Olhe para dentro dela e descubra o que ela significa para você.

            A Bíblia é o Livro por excelência, a Escritura Sagrada, Lei de Deus, Palavra de Deus, divinamente inspirada, preceitos escritos no coração, fonte de luz nas trevas, amada pelos santos, poderosa em sua influência, chama devoradora, martelo despedaçador, força transmissora de vida, poder salvador, arma de defesa, instrumento sondador, absolutamente digna de confiança, proveitosa para instrução...

            Supra citamos uma fagulha daquilo que significa a Bíblia, uma exemplificação de suas características virtuosas para nós. Somente essas seriam suficientes para cuidarmos adequadamente deste Livro de Deus para lermos, estudarmos e vivermos seus preceitos. Ela é providência de Deus para um povo que vivia em densas trevas.

Bíblia Sagrada, providência divina para orientar os servos de Deus, carta informativa do Seu mais terno e puro amor, instrução perfeita para homens imperfeitos, o GPS espiritual para homens perdidos.

            A gaveta é instrumento para arquivo de papéis antigos, de calendários ultrapassados, de lápis desgastados, de corretivos vazios, fotos envelhecidas pelo tempo, de contas a pagar, de mensagens nostálgicas, de rascunhos inutilizados, de folhetos que não distribuímos, de cofre onde o ladrão não terá acesso.

            Tratamos a Bíblia de acordo com o que ela significa para nós, conforme interiormente a vemos. Guardamos na gaveta aquilo que temporariamente nos serve, pelo menos deveria ser assim. Consegue perceber o significado de cada uma?

            Sabemos que as diferenças físicas são gritantes, mas para muitos as semelhanças são gigantescas, como saber disto? Corra e olhe para dentro de sua Bíblia e veja o que você encontra, veja o que ela significa.

Rev. Fabio José Bernardo

quarta-feira, 22 de maio de 2013

A Maior de Todas as “Heresias” Protestantes


Comecemos com uma pergunta de prova de história da igreja. O cardeal Roberto Belarmino (1542-1621) não foi uma figura para se desconsiderar. Ele era o teólogo pessoal do Papa Clemente VIII e uma das figuras mais capazes no movimento de Contra-Reforma no Catolicismo Romano do século dezesseis. Em uma ocasião, ele escreveu: “A maior de todas as heresias protestantes é ______________.” Complete, explique e discuta a afirmação de Berlarmino.

Como você responderia? Qual a maior de todas as heresias protestantes? Talvez a justificação pela fé? Talvez o Sola Scriptura, ou uma das palavras de ordem da Reforma?

Tais resposta fazem sentido lógico. Mas nenhuma delas completam a frase de Belarmino. O que ele escreveu foi: “A maior de todas as heresias protestantes é a certeza.”

Um momento de reflexão explica o motivo. Se a justificação não é apenas pela fé, apenas por Cristo, apenas pela graça — se a fé precisa ser completada por obras; se a obra de Cristo é de alguma maneira repetida; se a graça não é gratuita e soberana, então alguma coisa sempre precisa ser feita, ser “adicionada” para que a justificação final seja nossa. Este é exatamente o problema. Se a justificação final é dependente de algo que temos de completar, não é possível desfrutar da certeza de salvação. Pois então, teologicamente, a justificação final é contingente e incerta, e é impossível para qualquer um (à parte de uma revelação especial, concedida por Roma) ter certeza da salvação. Mas se Cristo fez tudo, se a justificação é pela graça, sem obras contributivas; é recebida pelas mãos vazias da fé — então a certeza, mesmo “certeza completa” é possível para todo crente.

Não me admira que Belarmino tenha pensado que a plena, gratuita e irrestrita graça era perigosa! Não me admira que os Reformadores tenham amado a carta aos Hebreus!

Eis o motivo. Conforme o autor de Hebreus pausa para respirar no clímax de sua exposição da obra de Cristo (Hebreus 10:18), ele continua seu argumento com um “pois” ao estilo de Paulo (Hebreus 10:19). Ele, então, nos urge a aproximarmo-nos “em plena certeza de fé” (Hebreus 10:22). Nós não precisamos reler toda a carta para ver o poder lógico de seu “pois”. Cristo é nosso Sumo Sacerdote; nossos corações foram purificados de uma má consciência assim como nossos corpos foram lavados com água pura (v.22).

Cristo se tornou de uma vez por todas o sacrifício por nossos pecados, e foi ressurreto e vindicado no poder de uma vida indestrutível como nosso sacerdote representativo. Pela fé nele, somos justos diante do trono de Deus como ele é justo. Por sermos justificados em sua justiça, sua justificação singular é nossa! E nós podemos perder essa justificação tanto quanto ele pode cair do céu. Assim, nossa justificação não precisa ser completada nada mais do que a justificação de Cristo precisa!

Com isso em vista, o autor diz: “com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados” (Hebreus 10:14). A razão pela qual podemos ficar de pé diante de Deus em plena certeza é porque agora experimentamos nossos corações “purificados de má consciência” os corpos “lavados com água pura” (Hebreus 10:22).

“Ah,” replicou a Roma do Cardeal Berlamino, “ensine isso e aqueles que creem nisso viverão em licença e antinomismo.” Mas ouça, então, à lógica de Hebreus. Desfrutar desta certeza leva a quatro coisas: Primeiro, uma firme fidelidade à nossa confissão de fé apenas em Jesus Cristo como nossa esperança (v.23); segundo, uma cuidadosa consideração de como podemos encorajar uns aos outros ao “amor e às boas obras” (v.24); terceiro, uma comunhão contínua com outros cristãos em adoração e todo aspecto de nossa amizade (v.25a); quarto, uma vida na qual exortamos uns aos outros para nos mantermos olhando para Cristo e sendo fieis a ele, conforme o tempo de sua volta se aproxima (25b).

Esta é a boa árvore que produz bons frutos, não o contrário. Nós não somos salvos pelas obras; somos salvos para as obras. De fato, nós somos o trabalho de Deus trabalhando (Efésios 2:9-10)! Assim, ao invés de levar a uma vida de indiferenças moral e espiritual, a obra definitiva de Jesus Cristo e a plena certeza da fé que ela produz, fornece aos crentes o mais poderoso ímpeto para viver para a glória e o prazer de Deus. Ademais, tal plena certeza é arraigada no fato de que o próprio Deus fez tudo isso por nós. Ele revelou seu coração a nós em Cristo. O Pai não requer a morte de Cristo para persuadi-lo a nos amar. Cristo morreu porque o Pai nos ama (João 3:16). Ele não está à espreita atrás de seu Filho com um intento sinistro desejando nos fazer mal se não fosse pelo sacrifício que seu Filho fez! Não, mil vezes não! — o próprio Pai nos ama no amor do Filho e no amor do Espírito.

Aqueles que desfrutam de tal certeza não vão aos santos ou a Maria. Aqueles que olham apenas para Jesus não precisam olhar para nenhum outro lugar. Nele nós desfrutamos a pena certeza da salvação. A maior de todas as heresias? Se for uma heresia, deixe-me desfrutar da mais bendita de todas as “heresias”! Pois ela é a verdade e a graça do próprio Deus!

Por Sinclair Ferguson. Extraído do site ligonier.org. © Ligonier Ministries. Original: What is the Greatest of All Protestant “Heresies”?
Tradução: Alan Cristie
Fonte: Editora Fiel

Autor: Sinclair Ferguson

Intercâmbio Feito por Walber Arruda

terça-feira, 21 de maio de 2013

Comemorar Sim. Avaliar Também.

Ainda no pique e no ânimo das comemorações pelos 77 anos de UMP no Brasil e pelo dia do Jovem Presbiteriano (terceiro domingo de maio), vamos considerar desta feita duas reações importantes em momentos como estes. Houve comemorações por todo o Brasil, com ações de graças a Deus pela Mocidade Presbiteriana. Particularmente, estive em Natal junto com os jovens da Paraíba e em especial da Federação Borborema. Foram momentos maravilhosos de louvor a Deus, comunhão e muita alegria. E creio ter sido assim Brasil afora pelo que vemos nas redes sociais. Graças a Deus. Mas vamos então às reações. Comemorar e Avaliar.
Comemorar sim, pois Deus tem sido muito gracioso com nossa juventude e mostrado, dia a pós dia, a sua fidelidade para conosco. Ao observarmos a história, escrita com lágrimas, sorrisos e muito suor do trabalho de muitos jovens, podemos dizer como o salmista: "Com efeito, grandes coisas fez o Senhor por nós, por isso estamos alegres." (Sl 126.3). São muitas vidas alcançadas, igrejas que são abençoadas por seus jovens, estes crescendo em graça e sabedoria, vivendo de maneira o cristianismo puro e simples. Louvamos a Deus não só pelo que ele fez, mas pelo que ele faz. Como tem sido maravilhoso ver jovens animados a trabalharem para Deus em sua sociedade, em participar ativamente de suas diretorias, indo a congressos e encontros e participando de maneira transformadora na sociedade, sendo verdadeiramente sal e luz. Contudo , no verso 4 do salmo 126 há um pedido de restauração, de uma nova ação de Deus a mudar a sorte do povo. E aqui entra a segunda parte de nossa reflexão. É necessário e urgente uma avaliação.
Um pedido de restauração vem, com certeza, depois de uma avaliação e diagnóstico de necessidade de mudança. Assim, neste momento de muita festa (e é justo que assim seja) , precisamos parar e analisar que muita coisa ainda precisa ser feita e acontecer. Não é pequeno o número de jovens que abandonam os caminhos do Senhor, embebecidos com as paixões do mundo, sejam sociais, financeiras, sexuais ou intelectuais. Nossos jovens precisam de boa instrução bíblica e de exemplos sérios a serem seguidos. Ainda temos muito jovens apegados a excessivo denominacionalismo.  Se o amor dessas pessoas à denominação se convertesse em amor e defesa de nossa confessionalidade, teríamos UMP's muito fortes. O que fazer então? Antes de tudo, orar, orar e orar, pois servimos ao Senhor criador dos céus e da terra e que a tudo governa. E juntamente à oração, muito trabalho. Os exemplos existem, motivem seus jovens a formarem grupos de leitura e convidem pessoas para estes encontros. Esta é uma possibilidade. Existem várias. E simples de executar, e com grandes frutos, para a glória de Deus.
Enfim, louvemos a Deus pelo que Ele tem feito , e clamemos para que Ele continue , hoje e sempre, restaurando nossos jovens.
Você já pensou que daqui pra janeiro de 2014 haverá eleições para novas diretorias em sua UMP, em sua Federação, na Confederação Sinodal e na Confederação Nacional? Já pensou o quanto precisamos orar por isto. Vamos em frente. Alegres na esperança, fortes na fé, dedicados no amor, unidos no trabalho. Portanto, comemorar sim, avaliar também.


Presb. Cícero da Silva Pereira

segunda-feira, 20 de maio de 2013

UMP INDICA: XVII Congresso Nacional da Mocidade Presbiteriana (Palmas 2014)


Muitas vezes somos absorvidos por nossa realidade local de UMP, os desafios, os problemas, as vitórias, e acabamos perdendo a noção mais ampla do que representa a UMP no contexto nacional. Somos mais de 70.000 jovens presbiterianos, e unidos como confederação podemos viabilizar grandes projetos de dimensão nacional para o reino de Deus, além de compartilhas idéias e diretrizes bíblicas para o trabalho em nossa igrejas locais.

Momentos de congresso da federação, sinodais, regionais e encontros nacionais, nos ajudam a recuperar a dimensão mais ampla de UMP, além de ser grandes momentos de comunhão com nossos irmãos de lugares mais distantes, unidos como um só corpo que somos. Neste sentido, nós da UMP da IV, juntamente com irmãos de a Presbiteriana de Lagoa Seca e da Liberdade, representando a Federação da Borborema, fomos até Natal, capital Rio Grande do Norte, no dia 18 de maio, comemorar o aniversário de 77 da UMP, num evento organizado pela CNM, onde tivemos contato com jovens de vários Estados. Este momentos nos motivou bastante com relação a uma integração maior com outras mocidades de nossa Cidade, Estado e Nação.

Caravana da Paraíba - 51 pessoas

Uma parte do pessoal da UMP da Quarta

Culto em ação de graças pelos 77 anos da UMP na Igreja Presbiteriana de Pirangi


Motivados por este entusiasmo, indicaremos hoje um evento de proporções ainda maiores e ainda mais vital para a Mocidade Presbiteriana de todo país: O XVII Congresso Nacional da Mocidade Presbiteriana, que será realizado em Palmas, nos dias 21 a 26 de Janeiro de 2014. A inscrição custa somente R$ 200,00. 

Vamos participar do evento mais empolgado da UMP, para nos confraternizarmos com irmãos de todo o país e traçar os rumos de nossa sociedade nos próximos 4 anos. Não deixe passar esta oportunidade, pois só teremos outra chance desta em 2018!


Maiores informações neste site: http://palmas2014.eventize.com.br/index.php?pagina=1


Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Reflexões sobre a Graça Comum e a Graça Especial


 A graça comum não traz perdão nem purifica a natureza do homem, e não efetua a salvação dos pecadores. No entanto, ela retém o poder destrutivo do pecado, mantém em certa medida a ordem moral do mundo, possibilitando assim uma vida ordenada e promove o desenvolvimento da ciência e da arte.

O nome
graça comum expressa a ideia de que esta graça se estende a todos os homens, povos, línguas e nações.:

Contudo, não se deixou a si mesmo sem testemunho, beneficiando-vos lá do céu, dando-vos chuvas e tempos frutíferos, enchendo de mantimento e de alegria os vossos corações.” Atos 14:17

Há também outro modo usado por Deus para manifestar sua graça, esse limita- se apenas aos escolhidos, é a chamada graça especial. Essa doutrina reformada nos mostra com muita clareza o quanto Deus é misericordioso com o homem, não sendo merecedor de tamanho favor, Deus graciosamente nos dá a Salvação eterna. Esta é a graça que nos salva.

A Graça comum na vida do cristão muitas vezes é entendida de forma distorcida, onde é separado o que é religioso “vida espiritual ” e o que é profano “vida secular”, trazendo consequências para a nossa vida. Sendo dividido assim, ”Santo” é ir a igreja, orar, ler a Bíblia,ouvir músicas evangélicas e conversar sobre assuntos religiosos. E as demais coisas cotidianas são vistas como seculares, gerando assim um erro gravíssimo, pois toda a vida humana tanto a área chamada espiritual como a secular são áreas onde a graça de Deus é manifesta. Deus é quem capacita através dos dons e talentos, quem dá saúde, que o sustenta em todos os momentos da vida sem distinções.

Visto que o ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus, refletindo aquilo que Deus é, o próprio Deus o capacita para que de forma positiva realizem boas obras nas mais variadas áreas da vida como a cultura, a arte e a ciência. Por isso tanto os não cristãos como os cristãos são capazes de produzir coisas boas, nobres, bonitas, agradáveis e justas. Embora a natureza do homem seja caída e maculada pelo pecado, não devemos rejeitar o que ele produz. Contudo se aquilo que foi feito não reflita a glória de Deus, não é proveitoso; como por exemplo, uma canção feita por um cristão, se essa música não glorifica a Deus, não é útil nem agradável, deve ser rejeitada, mas uma música feita por um não cristão, sendo útil, agradável e proveitosa é lícito desfrutarmos dela, pois foi feita através da capacitação que Deus o deu. Os dois principais fins da Graça Comum são o favor e os privilégios dados aos eleitos, e a Glorificação de Deus.

Ruan Medeiros

 Este texto foi baseado na aula nº 08 da revista Palavra viva – Teologia Reformada, publicada em 2013 pela Editora Cultura Cristã.
 

Todos os que Morreram na Infância são Salvos? Com a Palavra, William Hendriksen


POSIÇÕES ERRADAS

Primeiramente, há o que pode ser chamado de visão prevalecente na Igreja Católica Romana. Esta posição é: todas as crianças não batizadas estão perdidas, no sentido em que, quando elas morrerem, elas entrarão no Limbus Infantum (ou Infantium), um lugas às margens do inferno. O sofrimento delas aqui é negativo, em vez de positivo. Elas sofrem a falta da “visão beatificada”.

Esta posição, embora contendo realmente um elemento de verdade (já que reconhece justamente o fato que a responsabilidade varia de acordo com a oportunidade), está errada em duas considerações, a saber: A) as Escrituras não designam em nenhuma parte tal importância à omissão do batismo; B) não ensinam também em nenhuma parte sobre a existência de um Limbus Infantum.

Opondo-se a isto está a posição dos que sustentam que todos os bebês são “inocentes”. De acordo com este ponto de vista, o “pecado original”, se é que podemos chamá-lo assim, não é sujeito ao castigo sem que haja transgressão real. Visto que crianças pequenas não são capazes de transgredir realmente, mas são inocentes, todas são salvas se morrem na infância. Esta ou algo similar a esta, é a posição de muitos protestantes evangélicos hoje. Como irmãos em Cristo, nós amamos essas pessoas, mas nós não acreditamos que as Escrituras endossem este argumento de sua posição. As crianças também são culpadas em Adão. Além disso, elas não são inocentes (veja Jó 14.4; Sl 51.5; Rm 5.12, 18, 19; 1Co 15.22 e Ef 2.3) Se elas serão todas salvas, esta salvação não terá que ser concedida com base em sua inocência, mas na aplicação do méritos de Cristo para com elas.

A POSIÇÃO OFICIAL DA IGREJA PRESBITERIANA DOS ESTADOS UNIDOS

A Confissão de Fé de Westminster não dá uma resposta clara à pergunta se todos que morrem na infância serão salvos. De fato, a Confissão deixa espaço para a opinião de que alguns poderiam não ser eleitos e, portanto, não serem salvos. Veja isto você mesmo. A Confissão declara: “As crianças que morrem na infância, sendo eleitas, são regeneradas e por Cristo salvas, por meio do Espírito Santo, que opera quando, onde e como quer (Capítulo X, Seção III). Em 1903, a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, porém, interpretou este artigo de forma que hoje sabe-se exatamente onde esta denominação se mantém com relação a este assunto. Esta denominação adotou o seguinte Manifesto Declaratório: “A Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos da América, com toda autoridade, declara como segue... Com referência ao Capítulo X, Seção III, da Confissão de Fé de Westminster, que não é considerado como ensino, que qualquer um que morrer na infância esteja perdido. Nós acreditamos que todos, morrendo na infância, estão incluídos na eleição da graça, e são regenerados e salvos por Cristo através do Espírito Santo, que opera quando, onde e como lhe agrada”.

CITAÇÕES DE OBRAS DE TEÓLOGOS REFORMADOS

Todos que morrem na infância serão salvos. Isto é deduzido do que a Bíblia ensina sobre a analogia entre Adão e Cristo (Rm 5.18-19). As escrituras não excluem qualquer classe de crianças em nenhuma parte, batizada ou não batizada, nascidas em países Cristãos ou pagãos, de pais crentes ou não crentes, dos benefícios da redenção em Cristo.” (Charles Hodge, Systematic Theology, Vol I, 9.26)

O seu destino é determinado independentemente de sua escolha, por um decreto incondicional de Deus, e nenhum ato próprio delas pode suspender sua execução; sua salvação é forjada por uma imediata e irresistível operação do Espírito Santo, antes e à parte de qualquer ação de suas próprias vontades. Isto quer dizer que elas estão incondicionalmente predestinadas para a salvação desde a fundação do mundo.” (B. B. Warfield, Two Studies in the History os Doctrine, p. 230)

A maioria dos teólogos calvinistas sustenta que aqueles que morrem na infância são salvos... Certamente não há nada no sistema calvinista que nos impeça de acreditar nisto; e , até que seja provado que Deus não predestina para a vida eterna todos aqueles que ele agradou chamar na infância, podem nos permitir sustentar esta visão.” (L. Boettner, The Reformed Doctrine of Predestination, pp. 143,144).

Não obstante, nem todos teólogos Reformados se expressam tão positivamente. Alguns apresentam mais claramente a diferença, segundo eles a veem, entre os filhos dos crentes e todas as outras crianças. “As crianças da Aliança, batizadas ou não batizadas, quando morrem, entram no céu; a respeito do destino das outras, tão pouco nos foi revelado que a melhor coisa que podemos fazer é nos abstermos de qualquer julgamento positivo” (H. Bavinck, Gereformeerde Dogmatiek, 3° ed., Vol IV, p.117, minha tradução).

De forma semelhante, L. Berkhof, embora em completo acordo com os Cânones de Dort com relação à salvação dos filhos de pais piedosos, a quem Deus se agrada chamar para fora desta vida em sua infância, declara, a respeito dos outros, que “não há nenhuma evidência nas Escrituras na qual nós possamos basear a esperança de que... os filhos dos gentios que não tenham alcançado a idade do discernimento sejam salvos” (Systematic Theology, pp. 638-693).

O ENSINO BÍBLICO

A) Se aqueles que morrem em sua infância são salvos, essa salvação não está baseada em sua inocência, mas está baseada na graça soberana de Deus através de Cristo aplicada a eles (Veja o terceiro parágrafo deste texto).

B) O fato de que o coração de Deus não se preocupa só com os filhos dos crentes, mas também com os filhos dos descrentes, e até mesmos com aqueles “que não sabem discernir entre a mão direita e a mão esquerda”, é ensinado claramente em Jonas 4.11.

C)“O Senhor é bom para todos, e suas misericórdias permeiam todas as suas obras” e “Deus é amor” (Sl 145:9; 1Jo 4.8). É nos, então, permitido concordar com as belas linhas:

Porque o amor de Deus é mais vasto
Que a extensão da mente do homem
E o coração do Eterno
É o mais maravilhosamente amável (F. W. Faber, 1854)

D) As crianças não pecaram de qualquer forma similar aos adultos, que rejeitaram a pregação do evangelho e/ou pecaram grosseiramente contra a voz da consciência;

E) As Escrituras, em nenhuma parte, ensina explicitamente que todos os filhos dos descrentes que morreram na infância são salvos. Embora com base nos pontos B, C e D, uma pessoa possa se sentir fortemente inclinada a aceitar a posição que todas estas são salvas, jamais se pode afirmar que as Escrituras positivamente, e com todas as palavras, declarem isto como verdadeiro.

F) Deus deu ao crente e à sua semente a promessa encontrada em Gênesis 17.7 e Atos 2.38,39, e também 1 Coríntios 7.14. Por isso, os Cânones de Dort declaram que “desde que “Devemos julgar a respeito da vontade de Deus com base na sua Palavra. Ela testifica que os filhos de crentes são santos, não por natureza mas em virtude da aliança da graça, na qual estão incluídos com seus pais. Por isso os pais que temem a Deus não devem ter dúvida da eleição e salvação de seus filhos, que Deus chama desta vida ainda na infância.” (I, artigo 17).

HENDRIKSEN, William. In: A vida futura segundo a Bíblia. Traduzido por Marcus Ferreira.  São Paulo, SP: Cultura Cristã, 2004. pp. 123-127.


Guilherme Barros